Olá Pessoal,
Hoje vou falar um pouco sobre Comida! E foto também!
Lembro quando peguei a primeira pauta para fotografar culinária e também recordo do nervosismo que estava sentindo ao pensar que teria q trazer a foto bem feita. Como? Estava começando, nunca tinha fotografado comida antes. Parei, pensei e pensei até começar a lembrar de como era o cenário quando ia tomar café na sala de casa, por onde a luz entrava e dava mais volume para os alimentos.
Daí parte os primeiros passos. Precisaria de uma luz pelo menos lateral, vindo um tanto mais por trás para não chapar tanto a comida.

Comecei a observar mais não só os tipos de luz que eram utilizadas nas fotos de culinária, como também observar os ambientes onde geralmente os alimentos são apresentados: Mesa da cozinha, sala de estar, varanda, jardim, etc.
Com isso já começamos a aliar duas coisas: Luz + Ambiente Característico, para começarmos a pensar em como será a imagem final.
Cada alimento nos remete à um referencial de lugar, como por exemplo: Uma massa italiana já tem uma ligação com aquela família reunida ao redor de uma mesa de madeira, uma sala com paredes branquinhas e janelas com vista para um jardim, várias travessas, pratos, talheres em cima da mesa, azeite, molho de tomate, pãezinhos e um bom vinho. Ainda tem as cores que representam o país: Verde, Branco e Vermelho.
São essas referencias pessoais que vão nos ajudar a montar o cenário para a fotografia culinária. Luz, plano de fundo, objetos para preencher a cena, posição do prato e o ângulo de posicionamento da câmera.
Certa vez, fui fazer umas fotos de um prato chamado Tapioca Ensopada.
Estava num ambiente cheio de gente, e com apenas 3 objetos para compor a imagem: uma xícara de café e duas mudas artificiais de pé de café. Logo imaginei o seguinte: E se eu estou numa cozinha de uma fazenda, a noite, com a luz lá de fora, vindo de um poste de luz.

Foto: Igo Bione
Pois bem, o meu objetivo era passar isso para a imagem. Geralmente penso assim para fotografar culinária. Luz + Ambiente Característico é o início de tudo. Depois vejo como o prato se encaixa nessas condições e se não se encaixa parto para três itens importantes: Como o prato pede a qualidade e a direção da luz, as cores dos ingredientes e a interação com o ambiente e elementos usando na composição da cena e da textura do alimento.

Foto: Igo Bione
No livro “A Foto em Foco” do David duChemin, achei essa passagem bem interessante para vocês darem uma lida:
“A luz e a textura são, ambas, muito importantes na fotografia de alimentos, e funcionam juntas. Utilizar uma luz frontal dura ou uma luz chapada fluorescente mata a textura e a cor; você poderia simplesmente seguir em frente e comer a comida, pois as fotografias resultantes fará com que ela pareça bastante desagradável. Utilizar uma luz lateral difusa, ou uma contraluz, e preencher as sombras, permitem que a cor e a textura tomem o centro do palco… Tentar não pensar em seu assunto como “comida”, mas como um elemento gráfico que exige cuidado na composição tanto quanto qualquer outra fotografia pode tornar mais fácil para você… Lembre-se, seu objetivo é criar uma imagem que diga mais que “isso foi o que comi”, porém mostrar aos seus espectadores qual era o sabor e embora só possamos ver a comida na fotografia, uma vida inteira comendo nos deu ferramentas para, incoscientemente, deduzir o cheiro e o sabor a partir apenas da imagem. ” David duChemin.
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Quando pensei em escrever sobre Fotografia de Culinária por aqui, na hora veio a vontade de trazer algo a mais! Pedi para a querida companheira de trabalho e Editora do caderno de Sabores da Folha de Pernambuco, Vanessa Lins, para descrever um pouco sobre a importância da fotografia de alimentos num editorial. Como essa relação Imagem e Texto deve acontecer. Gostei tanto do título do texto que usei para dar nome ao post. Fotografar para o Caderno de Sabores, para Vanessa é poder ter certeza que a imagem será trabalhada com carinho, respeitada numa boa diagramação e textos.
Enfim, agora fiquem com o texto:
A Imagem do Gosto
Você está diante de uma pauta. Tema definido, nomes cogitados para entrevistas, restaurantes que se encaixam no assunto da matéria, tamanho aproximado do quanto vai escrever. Tudo pronto para cair em campo e “matar a pau”. Será? Você pensou também na abordagem fotográfica da sua pauta? Então vamos lá. Em jornalismo gastronômico não tem dessa. Não há como dissociar texto de imagem. Saiba. O poder de comunicação dessa dupla de informações é infinitamente maior que uma palavra bem dita, sozinha, é algo como feijão sem o arroz. Digo mais. Uma bela foto de comida é capaz de calar qualquer comentário. Simplesmente faz salivar sem necessidade de grafar um “a”. E esse é o principal objetivo desse tipo de material: estimular o sentido mais primário do homem.
Romeu e Julieta. Queijo coalho com mel de engenho. Sem imagem, uma matéria de jornalismo gastronômico é como uma TV desligada. Assim poderia ser traduzida a ligação entre texto e imagem: um relacionamento estreito de complementação inexorável. Sem ranso de exagero nessa afirmação. Quando o objeto de avaliação, abordagem e escrita é alimento, prato, qualquer comida enfim, o poder da palavra bem dita, afiada, tem a poderosa capacidade de transportar o leitor – tratado pelo jornalista aqui como um conviva – para o seu banquete particular cheio de impressões e recheado de temperos.
Certa vez, o professor doutor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Muniz Sodré, disse que o poder de comunicação contido na imagem transformou a televisão em deus do capitalismo. Ele se referia a questões de incentivo ao consumo desenfreado, aos modismos socados goela abaixo dos telespectadores. Pensamento coerente, provado e esgotado pelos teóricos da Comunicação. Mas não se pode negar a relevância positiva de uma imagem na construção de um contexto. E daí fico com a coerência do raciocínio de um outro professor de design, Rafael Souza Silva, que disse: “O texto transmite a informação semântica através de seus signos compreensíveis, mas, ao mesmo tempo, produz uma informação visual de reforço estético através de símbolos gráficos que atuam na sensibilidade do receptor”.
+Vanessa Lins é editora de Gastronomia da Folha de Pernambuco, onde atua há mais de quatro anos à frente do suplemento semanal Sabores – aos sábados. É jornalista especializada em aromas e temperos há… deixa pra lá. Não pode ver um prato bem feito que se acha “A” fotógrafa com sua digital rosa e sai correndo para publicar no twitter.com/quintopecado. Ela ama comer bem, mas muitas vezes, a trabalho, encara algumas das piores refeições. Ela ama fotografia que valoriza um bom prato, ou nem tão bom assim, com luz bonita, senso estético. Ela odeia prato “sem luz”.”
Abraço Pessoal,
Boas energias e bons cliques!
Igo Bione